Missa votiva pro Sponso et Sponsa

Hoje iremos ver a Missa pro Sponso et Sponsa no missal bracarense, que apresenta algumas diferenças da sua correspondente romana.

O Introito é na mesma o Deus Israel conjungat vos.

Já a Colecta é diferente:

Deus qui tam excellenti mysterio coniugalem copulam consecrasti, ut Christi et Ecclesiae sacramentum praesignares in foedere nuptiarum: praesta, quaesumus:…

É de salientar que esta oração está presente no missal romano, na primeira oração da bênção que o sacerdote confere após o Pai Nosso.

A leitura da Epístola não é a conhecida perícope Ef 5,22-33, mas 1 Cor 6,15-20.

O Gradual, Tracto, Aleluia, leitura do Evangelho, Ofertório, e Secreta são os mesmos.

A bênção após o Pai Nosso, que consiste em duas orações começa com:

In nomine Patris.
V/ Salvum fac.
R/ Deus meus, sperantes.
V/ Ostende eis, Domine.
R/ Et salutare tuum da eis.
V/ Mitte eis.
R/ Et de Sion.
V/ Exsurge, Domine.
R/ Et clamor meus.
V/ Dominus vobiscum.
R/ Et cum spiritu tuo.

Seguindo depois a primeira oração que consta no missal romano.
Curiosamente, a segunda oração – igual à que se encontra no missal romano – começa como se de um prefácio se tratasse, com o diálogo entre sacerdote e assembleia, seguido de Vere dignum. [Resta saber se tal poderia ser cantado em tom de prefácio ou não.]

2530068-stained-glass-in-catholic-church-in-dublin-showing-wedding-of-mary-and-the-stained-glass-windows-areA Comunhão e o Pós-Comunhão são os mesmos, assim como a bênção após o final da Missa.

Uma particularidade que não existe no rito romano (seja na edição ’62 ou na mais recente) é a seguinte:
O sacerdote agarra a mão direita da noiva e coloca-a na mão direita do noivo, dizendo:

Frate, accipe conjugm tuam, et delige eam ut carnem tuam. Et trado tibi uxorem et non ancillam: tu autem custodi et dilige eam sicut Christus Ecclesiam: et ambulate in Pace. In nomine Patris, et Fili, et Spiritus Sancti. Amen.

Irmão, recebe a tua esposa e ama-a como à tua carne. Pois que te dou uma esposa e não uma escrava: tu, pois, deves guardá-la e amá-la como Cristo à Igreja. E ide em paz.

No final, o sacerdote exorta os cônjuges a manterem-se castos nos “tempos de oração” (recomendação de S. Paulo em 1 Cor 7,5), especialmente em tempos de jejuns e solenidades; a amarem-se e permanecerem no temor a Deus. Após isso, asperge-os com água benta, dizendo “Placeat tibi, sancta Trinitas.” Finalmente, lê do Evangelho S. João (In principio erat Verbum) ou doutro de acordo com as rubricas. [Após ter publicado este post, descobri que as rúbricas descritas neste último parágrafo também existem no missal de ’62.]

————

E assim termina a exposição da Missa votiva pro sponso et sponsa segundo o rito bracarense. Se alguém tiver informações sobre o rito matrimonial propriamente dito, agradeço se me poderem fazer chegar.

Alguns comentários:

A alternativa à leitura do Prólogo de S. João no final da Missa reflecte a prática medieval da leitura final após a Missa variar. Resta ver, à medida que for explorando o missal, em que dias varia a perícope final.

As recomendações de tempos de continência parecem reflectir o entendimento patrístico acerca do jejum. Uma vez que as normas relativas ao jejum foram sendo relaxadas na igreja latina ao longo dos séculos, pergunto até que ponto se ainda faria esta exortação ainda no séc. XX.

A segunda oração da bênção após o Pai Nosso, que aparece também no missal romano de ’62, está mais centrado na mulher, apesar de no final a bênção ser aplicável a ambos os cônjuges. Pergunto-me de porque é que será? Terá a ver com o entendimento de que a mulher era o pilar da família, que mantinha a unidade e paz da casa e que, portanto, seria o mais óbvio alvo do demónio para destabilizar o lar cristão? Metade das graças pedidas para a noiva referem-se a combater fraquezas relacionadas com a luxuria. Terá a ver também com o facto de antigamente, até por volta do séc. XIX, se entender que era a mulher – e não o homem – que era mais susceptível a este tipo de tentações?

São estas apenas algumas considerações que deixo aqui. Caso algum de vós queira acrescentar algo para a discussão, estão convidados a contribuir.

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One Response to Missa votiva pro Sponso et Sponsa

  1. The Rad Trad says:

    I think the prayer of the priest as he gives the bride to the groom is quite beautiful and ought to remind us that the historic mind of the Church is that the sexes are the same in honor, if different in function.

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